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segunda-feira, 25 de janeiro de 2016

Distrito de Setúbal escolheu Marcelo Rebelo de Sousa

Marcelo ganha à primeira com dobro dos votos de Nóvoa

Como era expectável, Marcelo Rebelo de Sousa é o novo Presidente da República. Foi eleito à primeira volta, com 52 por cento e quase dois milhões e meio de votos, numa eleição em que a surpresa da noite foi o baixo resultado alcançado por Maria de Belém, que se ficou pelos 4,24 por cento bem como o terceiro lugar atingido por Marisa Matias, a candidata apoiada pelo Bloco de Esquerda, que chegou os 10,13 por cento. Sampaio da Nóvoa ficou em segundo, com 22,89 por cento. Em quinto lugar surge Edgar Silva, o candidato do PCP, com 3,95 por cento dos votos, seguindo-se Vitorino Silva (3,29), Paulo Morais (2,15), Henrique Neto (0,84), Jorge Sequeira (0,3) e Cândido Ferreira (0,23). Isto quando faltam apurar os resultados da freguesia de Muro, na Trofa, onde houve um boicote, e os resultados de parte dos Estados Unidos, devido ao forte nevão. No distrito de Setúbal, tal como em todos os distritos do país, Marcelo reinou. Sampaio ainda assim conquistou mais votos em quatro concelhos do distrito. Metade do país não votou. 
Marcelo Rebelo de Sousa toma posse a 9 de Março 

Marcelo Rebelo de Sousa toma posse como Presidente da República no dia 9 de Março, depois de ter vencido à primeira volta. O ex-comentador foi o grande vencedor de uma noite em que a esquerda saiu derrotada, mas houve uns mais derrotados do que outros. Maria de Belém foi a grande perdedora da noite juntamente com o candidato comunista Edgar Silva, que teve o pior resultado do PCP em presidenciais. Marisa Matias tem razões para festejar: ficou em terceiro lugar e conseguiu o melhor resultado de sempre para os bloquistas. Sampaio da Nóvoa perdeu, mas foi para casa com um milhão de votos.
No topo da escadaria da Faculdade de Direito de Lisboa, onde Marcelo Rebelo de Sousa tinha acabado de fazer a sua pequena festa de vitória, Pedro Rebelo de Sousa não escondia a euforia. Abraçava, era abraçado, um amigo dizia-lhe que com o novo Presidente pode não haver primeira-dama, mas há "primeiro irmão". E o "primeiro irmão" não fazia a vitória de Marcelo por menos: "Isto é um case-study!", dizia alto e bom som para as câmaras das televisões. "Isto foi ganho com um táxi e uma marmita!" - e com a piada resumia a campanha inédita, despojada, quase sem barões nem máquinas partidárias, campanha de um homem praticamente só que valeu a Marcelo Rebelo de Sousa a vitória mais desejada, à primeira volta.
Foi com uma campanha nunca vista que Marcelo chegou a Belém. Sem cartazes, sem comissão de honra, sem líderes partidários e com pouco dinheiro, o ex-comentador conseguiu evitar uma segunda volta e chegou a Belém com um resultado melhor do que Cavaco Silva em 2006. Contas feitas, Marcelo venceu com 52 por cento dos votos, enquanto, na primeira eleição, Cavaco chegou a Belém com 50,4.
Falhando a segunda volta, Sampaio Nóvoa atingiu o segundo lugar com 22,89 por cento, sendo assim o candidato mais votado da esquerda e o que mais se aproximou de poder disputar uma segunda volta, não fosse o resultado definitivo de Marcelo Rebelo de Sousa que obteve mais de metade dos votos, sendo eleito para um primeiro mandato com uma percentagem superior às obtidas por Mário Soares em 1986 (51,18 por cento) e Cavaco Silva em 2006 (50,54 porcento).

O dia em que o distrito de Setúbal escolheu Marcelo 
Saliente-se também que foi a primeira vez que um candidato independente obteve tão alto resultado, se bem que Sampaio da Nóvoa tenha recebido o apoio de vários dirigentes do PS e contado com a participação de muitas estruturas locais na campanha.
Marcelo ganhou em todos os distritos do país. Em alguns concelhos do distrito de Setúbal - Grândola, Alcácer do Sal, Moita e Barreiro - o candidato mais votado foi Sampaio da Nóvoa. Edgar Silva, candidato da CDU, venceu num único concelho, Aviz (Portalegre). Como as eleições presidenciais são disputadas num único círculo eleitoral, a concentração de voto numa determinada região tem pouca importância na votação total, ao contrário das legislativas.
Ainda assim o professor conquistou 135 mil e 300 eleitores  [37,89 por cento]do distrito que tradicionalmente vota à esquerda. Ganhou em Setúbal, Palmela, Sesimbra, Montijo, Almada, Seixal, Alcochete, Santiago do Cacém e Sines. Sampaio da Nóvoa ficou com 29,71 por cento [106 mil 114 eleitores]. Ainda assim o "cidadão candidato a Presidente" conquistou uma vitória nos concelhos da Moita, Barreiro, Alcácer do Sal e Grândola. Marisa Matias, a grande revelação nestas eleições, foi a terceira candidata mais votada. No distrito de Setúbal recolheu o voto de 46 mil 326 pessoas, deixando o candidato apoiado pelo Partido Comunista a mais de 12 mil votos de distância. Edgar Silva - que tudo jogou em terras do distrito - não foi além do quarto lugar com 33 mil 930 votos. O candidato comunista só foi o terceiro mais votado nos concelhos da  Moita, Barreiro Alcácer do Sal, Grândola e Santiago do Cacém. Maria de Belém ficou em quinto no distrito com 4,26 por cento, ou seja 15 mil 204 votos. Vitorino Silva e Paulo Morais com mais de oito mil votos cada um causaram espanto por cá. Henrique Neto com dois mil 285 votos superou Jorge Sequeira e Cândido Ferreira que ficaram muito abaixo dos mil votos cada.
No distrito de Setúbal 362 mil e duas pessoas não foram votar. Ou seja, 49, 83 por cento da população inscrita. Em seis concelhos a abstenção ficou acima dos 50 por cento. Palmela (50,79), Moita, (51,40), Setúbal (51,90), Sesimbra (52,10), Sines (54,07) e Montijo onde 54,38 por cento das pessoas não foram votar.  

Maria de Belém e Edgar Silva as grandes desilusões 
A vitória de Marcelo à primeira volta foi uma derrota para toda a esquerda, mas quem mais foi penalizada foi a socialista Maria de Belém. A ex-ministra da Saúde chegou a alimentar a expectativa de passar à segunda volta. O resultado final revelou-se, porém, uma tragédia, perante as expectativas da candidatura que surgiu do descontentamento de alguns setores do PS com Sampaio da Nóvoa.
Com pouco mais de quatro por cento, a ex-presidente do PS ficou atrás da candidata bloquista Marisa Matias e, pior do que isso, quase com os mesmos votos de Vitorino Silva, conhecido como Tino de Rans. Um resultado trágico que ninguém esperava, apesar do envolvimento da candidata na polémica sobre as subvenções vitalícias na fase final da campanha. 
O candidato comunista foi outro dos derrotados da noite eleitoral. Com cerca de 3,9 por cento, Edgar Silva teve o pior resultado de sempre do PCP. O pior pertencia, até hoje, a António Abreu, como 5,1 por cento, em 2001.

Marisa e Vitorino com vitórias 
Marisa Matias, uma das revelações destas eleições presidenciais 
O BE, pelo contrário, foi a única força de esquerda com razões para festejar. Marisa Matias conseguiu manter o sucesso eleitoral do BE nas legislativas e quase dobrou o melhor resultado que o partido tinha tido até agora. A eurodeputada ultrapassou os 10 por cento dos votos, enquanto Francisco Louçã, em 2006, obteve 5,3 por cento e Fernando Rosas, em 2001, conseguiu apenas três por cento.
Mas não ficam por aqui as surpresas destas eleições. Vitorino Silva, conhecido como o Tino de Rans, teve um dos mais espetaculares resultados da noite eleitoral com 3,2 por cento e mais de 150 mil votos. Vitorino Silva, que ficou conhecido depois de uma intervenção num congresso do PS nos tempos de António Guterres e da participação no programa Big Brother, venceu na sua terra natal com mais de 60 por cento dos votos.
Paulo Morais, que surgiu nesta eleição praticamente só com a bandeira do combate à corrupção, ultrapassou os dois por cento e quase 100 mil votos. Com menos votos, o empresário Henrique Neto obteve cerca de 0,8 e menos de 15 mil votos, Jorge Sequeira 0,3 e pouco mais de 13 mil votos e Cândido Ferreira 0,2 por cento e cerca de 10 mil votos.

A máquina chamada Marcelo 
Marcelo, com um perfil mediático imbatível, notoriedade estratosférica, mantendo as máquinas partidárias à distância e agradecendo aos barões dos dois partidos que o apoiavam que se mantivessem discretos, sem bandeiras nem caravanas, Marcelo pôde subir ao púlpito que estava montado no átrio da Faculdade de Direito sem que no discurso da vitória se visse uma única palavra: nem o seu nome, nem o seu slogan, apenas bandeiras nacionais.
O nome seria redundante, mas Marcelo, ele mesmo, fez questão de deixar, no discurso de vitória, a sua assinatura: "Não abdicarei de seguir o meu próprio estilo e de agir de acordo com as minhas convicções". Se uma parte dos comentadores e boa parte da esquerda que desfilava nas televisões passava a ideia de que Marcelo tinha feito campanha como uma folha em branco, o próprio fez questão de frisar que em Belém não será verbo de encher.
Mais de metade dos portugueses não foram votar. Estas foram as eleições em que o Presidente é eleito pela primeira vez com a maior abstenção de sempre. Em 2006, a abstenção foi de 38,4 por cento, em 1996 33,7 por cento e em 1986 de 15,6 por cento. Nas eleições deste domingo mais de 51 por cento dos portugueses não votaram.
A abstenção tem sido, em regra, maior nas reeleições. Em 2011, quando Cavaco Silva foi reeleito, foi de 53,4 por cento - a eleição em menos participada de sempre -, em 2001, quando Jorge Sampaio foi reeleito, foi de 50,2 por cento e em 1991, ano em que Mário Soares foi reeleito com mais de 70 por cento a abstenção foi de quase 38 por cento
Contas feitas - faltam apenas pormenores - será o professor Marcelo Rebelo de Sousa o Presidente de todos os portugueses, dos que nele votaram e dos que não votaram nem nele nem em ninguém.


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